
Se tiver oportunidade, pergunte a qualquer estrangeiro o que lhe vem à cabeça quando se fala de Brasil. Provavelmente, a Amazônia estará no topo da lista. Nosso bioma mais famoso - e mais extenso - ocupa quase metade do território do país e não é à toa que chama atenção: abriga uma variedade impressionante de seres vivos - riqueza que se estende além das terras brasileiras para ocupar também partes de países vizinhos (Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa).

Tanta riqueza tem atraído há vários séculos pesquisadores brasileiros e de outras partes do mundo. Alfred Wallace, Emília Snethlage, Edgard Roquette-Pinto, Carl Von-Martius e Emílio Goeldi foram alguns dos grandes cientistas que estudaram a Amazônia no passado, e há muitos outros que se dedicam a ela no presente.
Para você ter uma ideia, pesquisadores calculam que na Amazônia existem cerca de 30 milhões de espécies animais, mas nem todas foram encontradas e estudadas pelos cientistas. Isso significa que o bioma ainda guarda vários bichos desconhecidos do ser humano, e que há várias descobertas a fazer no futuro.
Os macacos estão entre os animais mais famosos da região. As grandes árvores amazônicas abrigam coatás, cuxiús, barrigudos e mais uma infinidade de primatas, além de outros mamíferos como onças, tamanduás, peixes-boi, botos... Entre os répteis - a maior densidade de répteis está neste bioma -, lagartos, jacarés, tartarugas e serpentes são os mais conhecidos e, entre os anfíbios, rãs, sapos e pererecas. Além disso, mais de mil espécies de aves já foram descobertas, incluindo muitas araras, papagaios, periquitos e tucanos.

Nos diversos rios que cruzam o bioma, nos lagos e nos igarapés, a quantidade de peixes é impressionante. As águas da Amazônia abrigam nada menos que 17 de cada 20 espécies de peixes de toda a América do Sul. Mas a maior parte das espécies de animais amazônicos é formada - adivinhe! - por insetos, como besouros, mariposas, formigas e vespas.
Se a fauna amazônica já deixou você de queixo caído, espere para ler sobre a vegetação, tão exuberante e variada quanto as espécies animais. Ela está dividida em três categorias: matas de terra firme, matas de várzea e matas de igapó.
As matas de terra firme estão em regiões mais altas e não são inundadas por rios. Elas incluem grandes árvores como a castanheira e a sumaúma - que ganhou o apelido de "rainha da floresta". Já as matas de igapó estão em partes baixas e são frequentemente inundadas. Assim, são formadas por uma vegetação mais baixa, cheia de arbustos, cipós e musgos. É nessas áreas que ocorre a famosa vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia, e também as orquídeas e bromélias.
Por fim, as matas de várzea são uma espécie de transição entre as matas de terra firme e as matas de igapó. Elas passam por inundações em determinadas épocas do ano e têm partes mais elevadas semelhantes às matas de terra firme e outras mais baixas, que se parecem com as matas de igapó.
Hoje sabemos que são os mares (na verdade, o fitoplancton) os maiores produtores do oxigênio que respiramos. Mas, por muito tempo, as pessoas chamaram a Amazônia de "pulmão do mundo", pois a enorme quantidade de plantas que ela abriga captura gás carbônico da atmosfera e produz muito oxigênio. Os cientistas já mostraram, porém, que a própria floresta também produz gás carbônico, e que o bioma não fornece oxigênio para outras partes do planeta - na verdade, a maior parte é consumida ali mesmo.

É claro que isso não diminui a importância da Amazônia, que tem um papel fundamental na estabilidade do clima na América. Ela estoca sozinha cerca de um quinto de toda a água doce do planeta e, quando essa água evapora, forma nuvens que migram para o sul do continente, garantindo a regulação das chuvas em lugares como o centro-sul do Brasil, a Argentina e o Paraguai. Temos motivos de sobra para conservar esse bioma, não acha?
Sem falar nos indígenas, a região é considerada a mais populosa em indígenas. Além disso, a população que vive na Amazônia aumentou muito nos últimos anos, cerca de 25 milhões de pessoas moram nesse bioma, e o local possui cidades que são praticamente metrópoles, como Belém (PA) e Manaus (AM).
O desmatamento, seja para exploração da madeira ou para a criação de gado, e a grande ocorrência de queimadas são hoje as principais ameaças à Amazônia e têm como consequência a extinção de várias espécies animais e vegetais. Embora, nos últimos anos, o Brasil tenha comemorado uma redução no ritmo de desmatamento do bioma, a cada ano ainda são destruídos milhares de quilômetros quadrados de floresta - um descuido que, em pouco tempo, poderá causar o desaparecimento de várias espécies típicas da região. É por isso que centenas de cientistas estudam maneiras de conciliar a produção de alimentos e de madeira de forma que a floresta continue exuberante.
9 estados brasileiros: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão;
5 milhões km²;
440 mil indígenas, cerca de 180 povos;
30 mil espécies de plantas;
311 espécies de mamíferos;
1.300 espécies de aves;
350 espécies de répteis;
163 espécies de anfíbios;
1.800 espécies de peixes;
152 espécies ameaçadas da flora;
24 espécies ameaçadas da fauna.
Fonte: www.embrapa.br