Bem ao sul do Brasil, lá na terra do chimarrão e do churrasco, é o único bioma brasileiro restrito a apenas um estado. Cerca de dois terços da área do Rio Grande do Sul são ocupados pelo Pampa: uma extensa área de campo natural.

O clima temperado, com temperaturas médias entre 13 °C e 17 °C, garante ao bioma características únicas. Uma delas é a presença de grandes campos de gramíneas (também conhecidos como capins, gramas ou relvas), com 450 espécies dessas plantas espalhadas pela região.

Esse cenário foi encontrado pelos primeiros seres humanos que habitaram a região Sul do Brasil, há cerca de 12 mil anos, e continua sendo a cara do Pampa atual. Mas, por ser tão antigo, o bioma possui grande variedade de espécies e paisagens. Embora seja famoso pelos campos, o Pampa abriga também florestas nas margens dos rios, arbustos, leguminosas (150 espécies), bromélias e até cactos (70 tipos). Na vegetação vegetativa, viva, é claro, centenas de espécies animais. 

Ema, perdi, joão-de-barro, quero-quero e caturrita são algumas das aves que escolhem o Pampa como lar. O charmoso sapinho-de-barriga-vermelha se destaca entre os anfíbios. Já entre os mamíferos, há tuco-tucos, furões e veados-campeiros, entre outros. O zorrilho - cujo nome vem do espanhol e significa "raposinha" - é um dos mais curiosos: ao sentir uma ameaça, ele produz um cheirinho tão ruim que ninguém aguenta por perto!

A ocupação do Pampa para atividades físicas começou com a chegada dos espanhóis e dos portugueses à região. Desde o século XVII, há criações de gado por lá - afinal, os campos pareciam, aos olhos dos exploradores, boas pastagens naturais! Por sorte, em vez de tolerar a vegetação, a presença do gado permitiu a sua conservação: a ação dos animais que pastam é tolerada para a manutenção das espécies principais de gramíneas e leguminosas do bioma. Parece um jeito perfeito de unir atividades humanas e conservação da natureza, certo?

No Planalto Médio e na área ocupada pelas Missões, a cobertura original - conhecida como campo de barba-de-bode - já foi praticamente destruída para dar lugar às atividades agrícolas. A mineração, a ocupação por espécies invasoras e a caça também ameaçam a natureza local. Mesmo com todos esses problemas, o bioma não conta com áreas de preservação suficientes nem está na lista das prioridades em conservação ambiental.

Assim, a história pode não estar viajando para um final feliz. Embora, no passado, a exploração do Pampa tenha sido marcada pela convivência tranquila entre o homem e o meio ambiente, mais recentemente as novas formas de uso da terra contribuíram para um rápido desaparecimento da vegetação nativa, que já foi reduzida à aproximadamente um terço da vegetação original.

Talvez quem olhe para o Pampa não encontre uma fauna exuberante como a da Amazônia, ou uma floresta de tirar o fôlego como as que existem na Mata Atlântica. À primeira vista, o bioma parece bem mais simples do que os outros, mas não se engane, pois isso não quer dizer que ele seja menos importante! Pelo contrário, os campos do Pampa influenciaram - e muito - para a absorção de carbono da atmosfera e o controle da transmissão, por exemplo. Nesse bioma, há mais de 3 mil espécies vegetais, muitas delas endêmicas (só ocorrem na região), bem como várias espécies nessa fauna, que dependem dos campos para a sua manutenção.

Assim, fica a certeza de que precisamos, como nossos visitantes, encontrar um jeito de aproveitar os recursos naturais do Pampa, de maneira sustentável. Valorizar as formas de produção tradicionais é um exemplo de como podemos colocar isso na prática. E você, tem outras ideias que podem contribuir para isso?

Você sabia?

"Pampa" é um termo de origem quíchua (indígenas da América do Sul) que significa "região plana". O Pampa é um bioma partilhado. Ele se estende pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai, ocupando, assim, uma área total de 700.000 km². 


1 estado brasileiro: Rio Grande do Sul;

178 mil quilômetros quadrados;

3 mil espécies de plantas;

70 tipos de cactos;

100 tipos de árvores;

450 espécies de gramíneas;

150  espécies de leguminosas;

102 espécies de mamíferos;

476 espécies de aves;

50 espécies de anfíbios;

97 espécies de répteis;

50 espécies de peixes;

146 espécies de plantas ameaçadas de extinção;

49 espécies da fauna ameaçadas de extinção.

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